Carência no Home Equity é o intervalo entre a liberação do dinheiro e o pagamento da primeira parcela. Algumas instituições oferecem até 180 dias. Durante esse período os juros continuam correndo: eles podem ser pagos mês a mês ou incorporados ao saldo devedor, o que aumenta o valor final da dívida.
No crédito pessoal comum, a primeira parcela costuma vencer em 30 a 45 dias. No Home Equity, há instituições que oferecem carência de até 6 meses, um fôlego útil para quem vai usar o dinheiro em algo que demora a dar retorno. O que pouca gente sabe é quanto essa folga custa.
Como funcionam os juros durante a carência?
Carência não é isenção. O banco continua cobrando juros sobre o saldo, e existem duas formas de lidar com eles.
| Modalidade | O que acontece | Efeito na dívida |
|---|---|---|
| Juros pagos mensalmente | Você paga só os juros durante a carência, sem amortizar | Saldo não cresce |
| Juros capitalizados | Nada é pago, os juros entram no saldo devedor | Saldo cresce |
Exemplo numérico
Imagine R$ 200 mil liberados a 1,3% ao mês, com seis meses de carência e juros capitalizados. Ao fim do período, o saldo devedor será de aproximadamente R$ 216,1 mil, cerca de R$ 16 mil a mais do que foi recebido. As parcelas serão calculadas sobre esse novo valor. Se os juros fossem pagos mês a mês, o custo seria de R$ 2.600 por mês durante a carência, e o saldo continuaria em R$ 200 mil.
Segundo a Abecip, as operações de Home Equity em 2026 tiveram prazo médio de 13 anos e valor médio de R$ 267 mil. Em contratos tão longos, seis meses de juros capitalizados representam uma fração pequena do custo total, mas ainda assim devem entrar na comparação de propostas pelo CET.
Quando a carência vale a pena?
A carência faz sentido quando o dinheiro vai gerar renda ou economia só depois de alguns meses. Para quem vai usar o crédito para quitar dívidas caras, ela pesa menos, porque a economia com juros começa no primeiro dia.
- Reforma de imóvel para aluguel: a carência cobre o período de obra, e a parcela começa quando o aluguel entra.
- Investimento no negócio: estoque, equipamento ou ponto novo que leva alguns meses para gerar caixa.
- Transição de renda: troca de emprego ou início de atividade como autônomo.
- Organização das contas: quitar dívidas e usar os primeiros meses para formar uma reserva.
Antes de aceitar, peça à instituição a simulação com e sem carência e compare a parcela final. A diferença aparece com clareza na calculadora de parcela e varia conforme o sistema de amortização escolhido.
Precisa de alguns meses
antes da primeira parcela?
A MS8 compara as condições de carência de mais de 20 bancos e fundos e mostra quanto ela custa em cada proposta.
Perguntas frequentes
Fontes consultadas: Banco Bari; Abecip via Registro de Imóveis do Brasil.